Conversei sobre política com alguns colegas. Cumpri o expediente, tomei um café lendo livro e iniciei minha volta a pé pra casa.
No caminho me peguei pensando sobre os desgovernos no Brasil, o que seria matéria mais do que suficiente para ocupar meus pensamentos durante o percurso, enquanto continuava andando ao longo do canal 3, ladeando de perto sua margem, à sombra das copas dos jambolões ou outra árvore qualquer, o que importava àquela hora não eram nomes, eram as várias ramas que de tão vergadas pareciam beber água no interior do canal, pareciam girafas fantásticas ao pé de um córrego, outras frondes preferiam se unir lá em cima, sobre as águas, num beijo confuso e tenaz (quanto tempo esperaram por esse momento?...), assim fui indo, contemplando o germinar da poesia do caminho, quando então uma garoa passou a regar os versos, minúsculos pingos inofensivos que não incomodavam nem a mim nem ao livro, uma brisa bateu suavemente da praia e o ar que eu respirava se manteve fresco até eu chegar em casa.